Dia 11 de Novembro de 2012 será sempre recordado como o domingo em que a Maria dirigiu a sua primeira carta ao Pai Natal. Por iniciativa da amiga Carlinha, a Maria manifestou as suas preferências para este Natal e a Carlinha registou. O primeiro impacto foi risota total, depois a reflexão própria de quem tem uma criança tão pequenina à sua frente e se limita a pedir para este Natal: uma barrita Kinder, um queijinho, uma garrafa de água e uma camisola preta. Não me perguntem o porquê da camisola preta, até porque o preto não costuma fazer parte das minhas escolhas. Além disso, a Maria ainda confunde as cores, acertando mais vezes na cor de laranja, mas dando ideia de que o que agora é preto, daqui a dez minutos virou castanho ou roxo. E não me perguntem o porquê desta intenção em encher a nossa despensa. Por momentos fiquei a pensar que a minha filha tem noção da crise que o país atravessa.

A manhã de hoje foi passada a transcrever a carta original, para esta folha que o Toysrus disponibiliza a todos os clientes. Já vem com a morada do Pai Natal, basta apenas escrevermos o texto e colocarmos o remetente. Depois é só entregar nos CTT.
Para que a Maria tivesse um papel mais activo na escrita da carta ao Pai Natal fiz uma em que apenas aparecem as imagens que ilustram os seus desejos. Na outra carta, além de pedir ao Pai Natal a barrita Kinder, o queijinho, a garrafa de água e a camisola preta, a pequena Maria manifesta a sua intenção de dar ao Pai Natal, todas as suas chupetas, para que ele possa oferecer aos bebés, uma vez que ela já está crescida.

O marco de correio era muito alto. A Maria viu que não conseguia e em vez de pedir ajuda à mamã decidiu dirigir-se à porta. Entrou pelo próprio pé e enquanto eu retirava a senha para aguardar a vez, ela já estava de braço esticado, junto ao balcão e esforçando-se por entregar, em mão, a sua primeira carta ao Pai Natal. Foi com uma alegria imensa que vivi aquele momento. A Maria e a sua intenção, de enviar uma carta ao Pai Natal, podendo para isso passar à frente de toda a gente e interrompendo o atendimento de uma senhora, espalharam magia naquele local de trabalho. Em dias mais cinzentos, em que de facto por mais que se tente evitar, as palavras de ordem são crise, Troika e desemprego, as pessoas exibem expressões de desistência, frustração e pessimismo. Muitos dos que trabalham mostram-se exaustos, descontentes e revelam sorrisos que acusam um cansaço sem limites. É, muitas vezes, um esforço por manter aquilo que muitos desejam, mas de uma forma quase sobre-humana. Só há uma coisa no mundo capaz de desfazer uma expressão de aborrecimento, uma indisposição desmedida e um pensamento negativo: o sorriso de uma criança.