Cresci e vivi vinte e sete anos na calma e no sossego desta aldeia. A casa dos meus pais dista do centro comercial mais próximo cerca de 15km. Há meia dúzia de anos abriu um banco, mas continua sem posto de correios, lavandaria e outros que tal. A praia fica a cerca de 12 km e para (quase) tudo é necessário ir de carro. Pode até estar ligeiramente melhorado no que respeita à rede de autocarros, mas no ano em que iniciei o ensino superior, apenas conseguia autocarro para a universidade, de manhãzinha e/ou ao final do dia. Apesar disso e passados três anos a viver bem pertinho de tudo, continua a ser especial vir aqui. E ao fim de uma semana sem passar em casa dos meus pais, o meu coração quase que rebenta de saudades. O meu estado de espírito altera-se, a minha disposição diminui e os sorrisos são praticamente inexistentes. É curioso como em determinado momento da nossa vida, a vontade de sair impõe-se e como, de repente, a vontade de regressar a toda a hora, é mais do que muita. As saudades de cada canto da casa. Do meu quarto. Da sala, onde a minha mãe montou a árvore de Natal, no sábado passado, com a minha ajuda e a colaboração preciosa da sua neta preferida. Do sotão, onde fazemos sempre as festas de aniversário e festejamos ocasiões mais especiais. Do jardim, onde durante anos cortei relva, arranquei ervas daninhas e aparei roseiras. Sempre por iniciativa própria e com um sentimento tranquilizador. Chegava a interromper os meus estudos para ir regar o jardim. E ainda hoje este cantinho me inspira, me tranquiliza e me aquece a alma.
Mas não é só a mim que este cantinho provoca sentimentos de alegria. A pequena Maria vibra com as visitas aos avós. Uma casa que em apenas dois anos foi acrescentando todo um conjunto de mobília nova, destinado exclusivamente à mais pequena. A casa dos avós foi ficando ainda mais bonita com os brinquedos da Maria. Num abrir e fechar de olhos, o chão da cozinha suja-se de giz; o chão do sotão cobre-se de brinquedos e a minha cama enche-se de bonecos.
E por falar em saudades e num cantinho tão inspirador, estou curiosa para ver o presépio. Mal posso esperar para ver a reacção da Maria. Pela primeira vez verá, com atenção, um presépio com musgo de verdade e repleto de peças decorativas. Não há santinho que falte, nem animal que fuja. Se num ano, por descuido, se quebra um, no ano seguinte há dois para o substituir! A magia do natal nasceu aqui e contagiou-nos, a mim e ao meu irmão. A minha mãe também adora o Natal. Delira com a casa cheia de gente e perde-se em pormenores decorativos. Principalmente agora, com a sua mais que tudo ♥.


























