O pior ainda estava para vir. Num abrir e fechar de olhos a pequena traquina de quem eu adoro falar aqui, virou o balde da água onde eu enxaguava a cada segundo que passava o meu incansável trapo de limpezas.
À medida que ia limpando ia percebendo a quantidade de objectos encharcados de shampoo e a quantidade de estragos feitos num curto espaço de tempo. Ah, também ia dizendo para mim mesma "Como é possível?" e como se não bastasse também ia ouvindo em jeito de eco "Como é possível?" E por esta altura não sabia qual seria o melhor remédio, se rir ou chorar. Por isso continuei a limpar.
O envelope que guardava um postal oferecido pela maternidade aquando do nascimento da Maria. A minha sorte foi ter guardado mais três num outro local.
A minha caderneta de saúde da gravidez, a qual ainda se encontrava guardada juntamente com o boletim de saúde da Maria, numa carteirinha especial.
Os laços que foram atingidos com shampoo. Depois de lavados e secos reparei que danifiquei um deles, por sinal um dos meus preferidos.
Começo a pensar seriamente que me precipitei e que a minha filha até era menina para ter limpo tudo sozinha.
Balde/esfregona e aspirador - presentes de aniversário
Vou seguir à risca esta etiqueta, para lavar a carpete. Só assim poderei garantir que a mesma fica como quando foi comprada
Resumindo, uma tarde sem controle de esfíncteres. Como se eu conseguisse tomar conta de todos estes recados em simultâneo! Uma tarde enfiada no quarto dos brinquedos que é o sonho de ma petite fille. Uma tarde sem dormir, mas um dia com direito a banho às 18h30, jantar às 18h45 e sono da noite com início às 20h00. Resta saber quanto tempo durará este sono completamente vencido pelo cansaço da asneira. Adormeceu ao meu colo, abraçada ao meu pescoço e com a cabeça apoiada no meu ombro esquerdo. E eu sorri. Como é possível?